Pediakinder

Processamento sensorial: entenda a hiper e a hipossensibilidade na infância 

Uma criança pode tapar os ouvidos diante do barulho do liquidificador. Outra não parece perceber quando alguém a chama. Uma recusa determinada roupa porque o tecido incomoda, enquanto outra procura constantemente movimento, pula, gira e parece precisar de estímulos o tempo todo.

Essas diferenças podem chamar a atenção de pais e cuidadores, principalmente quando começam a interferir nas refeições, no sono, nas brincadeiras ou na rotina escolar. Para compreender o que está acontecendo, porém, é preciso olhar para além do comportamento isolado.

O processamento sensorial está relacionado à maneira como o sistema nervoso recebe, organiza e interpreta as informações que chegam pelos sentidos. Quando esse processamento acontece de uma forma que dificulta a participação da criança nas atividades cotidianas, algumas respostas podem aparecer com maior intensidade ou, ao contrário, parecer reduzidas.

Todos os dias, o cérebro recebe uma enorme quantidade de informações: sons, luzes, cheiros, sabores, movimentos, toques e sensações que vêm do próprio corpo.

O processamento sensorial é o conjunto de mecanismos que permite ao sistema nervoso organizar essas informações e produzir respostas adequadas ao contexto. É graças a esse processo que conseguimos, por exemplo, perceber que uma roupa está apertada, identificar de onde vem um som ou ajustar o corpo para não perder o equilíbrio.

Na infância, esse sistema ainda está em desenvolvimento. Por isso, algumas reações fazem parte das experiências próprias dessa fase. Em determinadas crianças, entretanto, as respostas aos estímulos podem ser tão intensas, reduzidas ou inconsistentes que acabam dificultando atividades comuns do dia a dia.

Esse funcionamento pode envolver diferentes sistemas sensoriais, incluindo visão, audição, tato, olfato, paladar, movimento e propriocepção — a percepção da posição e do movimento do próprio corpo.

A hipersensibilidade acontece quando a criança apresenta uma resposta aumentada a determinados estímulos. Algo que parece pequeno para outras pessoas pode ser percebido por ela como muito intenso ou desconfortável.

Na rotina, isso pode aparecer de diferentes maneiras:

  • incomodar-se muito com sons específicos;
  • evitar ambientes barulhentos ou movimentados;
  • não gostar de determinadas texturas de roupas;
  • recusar alimentos por causa da textura, temperatura, cheiro ou aparência;
  • demonstrar desconforto com toques;
  • incomodar-se excessivamente com luzes fortes;
  • reagir de forma intensa a estímulos que outras crianças parecem tolerar com facilidade.

É importante observar que a hipersensibilidade não significa simplesmente que a criança “não gosta” de alguma coisa. Em alguns casos, a experiência sensorial realmente provoca desconforto e pode desencadear choro, irritação, fuga ou necessidade de interromper a atividade.

Na hipossensibilidade, a resposta a determinados estímulos pode ser menor do que o esperado. A criança pode precisar de estímulos mais intensos ou repetidos para percebê-los e responder a eles.

Alguns exemplos incluem:

  • não reagir prontamente a sons ou ao próprio nome;
  • parecer pouco incomodada com frio, calor ou determinados toques;
  • buscar constantemente movimento;
  • correr, pular, girar ou balançar o corpo com frequência;
  • procurar atividades que ofereçam estímulos físicos mais intensos;
  • demonstrar pouca percepção de sinais corporais em algumas situações.

Isso não significa que a criança não tenha sensibilidade. O modo como o sistema nervoso registra e responde à informação pode ser diferente, e essa resposta varia de acordo com o estímulo, o ambiente e o momento.

De forma simples, a principal diferença está na maneira como a criança responde aos estímulos.

Na hipersensibilidade, determinados estímulos podem ser percebidos de forma intensa e gerar desconforto ou necessidade de evitá-los.

Na hipossensibilidade, a criança pode responder menos a determinados estímulos e buscar experiências sensoriais mais intensas para conseguir percebê-las ou organizá-las.

Uma mesma criança também pode apresentar respostas diferentes dependendo do sentido envolvido. Ela pode, por exemplo, ser muito sensível a sons e, ao mesmo tempo, buscar bastante movimento.

Por isso, não existe uma lista fechada de comportamentos que permita definir o funcionamento sensorial de uma criança apenas pela observação de alguns sinais.

Não. Uma criança pode passar por fases de maior seletividade alimentar, demonstrar incômodo com um determinado barulho ou procurar mais movimento sem que isso signifique, necessariamente, uma alteração no processamento sensorial.

A frequência, a intensidade, a persistência e, principalmente, a interferência desses comportamentos na vida cotidiana precisam ser consideradas.

Também é importante entender o contexto. Uma criança pode rejeitar uma textura específica porque simplesmente não gosta dela. Outra pode apresentar uma reação muito intensa ao contato com aquela textura e ter dificuldade para permanecer na atividade.

A avaliação profissional ajuda a diferenciar essas situações e a compreender como a criança percebe e responde aos estímulos em diferentes ambientes.

As diferenças no processamento sensorial são frequentes em pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e fazem parte dos aspectos considerados na compreensão do quadro. E a literatura científica também descreve alterações sensoriais em outras condições do neurodesenvolvimento.

Isso, porém, não significa que uma dificuldade sensorial indique autismo.

Uma criança pode apresentar diferenças no processamento sensorial sem ter TEA. Da mesma forma, crianças autistas possuem perfis sensoriais muito diferentes entre si.

Por isso, comportamentos como evitar barulhos, apresentar seletividade alimentar ou buscar movimento não devem ser usados isoladamente para chegar a uma conclusão diagnóstica. O desenvolvimento precisa ser observado de maneira ampla, considerando comunicação, interação social, comportamento, autonomia e outros aspectos relevantes.

Leia também: Sinais de autismo em crianças: como o tratamento precoce pode transformar o desenvolvimento

O primeiro passo é compreender o que aquela resposta representa para a criança.

Em vez de interpretar uma recusa alimentar simplesmente como “manha”, por exemplo, a avaliação pode investigar se existe desconforto relacionado à textura, temperatura, cheiro ou aparência do alimento.

Da mesma forma, uma criança que evita determinado ambiente pode estar reagindo à quantidade de sons, pessoas ou outros estímulos presentes naquele espaço.

Na terapia ocupacional, o profissional pode avaliar o funcionamento sensorial e observar como essas respostas interferem nas atividades cotidianas. A partir dessa compreensão, são definidas estratégias individualizadas, sempre relacionadas às necessidades funcionais da criança.

O objetivo não é fazer com que a criança simplesmente suporte qualquer estímulo. O trabalho terapêutico busca favorecer sua participação, autonomia e conforto nas atividades importantes para sua rotina.

Em alguns casos, outras especialidades também participam desse cuidado. A fonoaudiologia, por exemplo, pode ser importante diante de dificuldades relacionadas à alimentação e comunicação. A psicologia pode contribuir quando as experiências sensoriais estão associadas a questões emocionais ou comportamentais. A integração entre profissionais permite compreender a criança de maneira mais ampla.

Entender o processamento sensorial ajuda a olhar para determinados comportamentos com mais cuidado. Aquilo que parece uma reação exagerada, uma recusa ou uma busca constante por movimento pode estar relacionado à maneira como a criança recebe e organiza as informações do ambiente.

Ao mesmo tempo, nem toda diferença de comportamento representa uma alteração. Cada criança possui características próprias, e o desenvolvimento acontece de forma individual.

Quando as respostas sensoriais começam a dificultar a alimentação, o sono, a higiene, as brincadeiras, a escola ou outras atividades importantes, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer o que está acontecendo.

Na Pediakinder, esse olhar faz parte de uma proposta de cuidado interdisciplinar, que considera as necessidades e possibilidades de cada criança e busca favorecer sua participação e qualidade de vida.

Para entender mais sobre o desenvolvimento infantil e suas fases, acesse nosso blog e confira outros conteúdos completos. 

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Alexandra J Souza Dias
Fonoaudiologia

Formação Acadêmica

  • Graduação em Fonoaudiologia – Centro Universitário Sant’Anna – Formada em dezembro de 2025

 

Certificações e Aperfeiçoamentos

  • Formação em Libras – Instituto Federal do Rio Grande do Sul – 2025
  • Curso de Eletroestimulação – APOGEU – Ministrado pelo fonoaudiólogo Bruno Guimarães – 2025

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Julya Quirino Barbosa
Psicologia – Estagiária

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Faculdade Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) – Previsão de formação em 2026

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Michele da Costa Miranda
Fonoaudióloga – Estagiária

Formação Acadêmica

  • Graduação em Fonoaudiologia – Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID) – Cursando o 8º semestre – Conclusão em 12/2025

 

Certificações e Aperfeiçoamentos

  • Capacitação em Linguagem e Autismo – 2024
  • Workshop Parceiros de Comunicação CAA – 2024
  • Core Power – Comunicação Alternativa – 2025

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Bianca Cardoso Leal
CREFITO 369658-F

Formação Acadêmica

  • Graduação  – Faculdade UNIP – Formada em 2023

  • Pós-graduação em Traumato Ortopedia e Esportiva – Inpirar – 2025

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Niandra Graciano Gomes Freitas
CREFITO 3/25034-TO

Formação Acadêmica

  • Graduação em Terapia Ocupacional – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Formada em 2023

  • Pós-graduação Lato Sensu em Preceptoria – Laboratório de Estudo sobre Infância e Adolescência (LEIA), Universidade de São Paulo – 2024

 

Certificações e Aperfeiçoamentos

  • Curso de Escrita e Função Manual – Clínica Estrada – 2024

  • Curso: “Deficiência Visual Cortical na Infância” – Play Core Kids – 2025

  • Curso: “Análise Funcional e Intervenção Baseada em Antecedentes” – Clínica Próximo Degrau – 2025

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Tiffany Helena da Silva
APEMESP: 1-230489

Formação Acadêmica

  • Graduação em Musicoterapia – FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) – Formada em 2023
  •  

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Erica Martins Cavalcante de Oliveira
2394-25

Formação Acadêmica

  • Graduação em Pedagogia – Faculdade Anhanguera, São Paulo – 2008

  • Certificação Profissional – 2009

  • Especialização em Psicopedagogia – Centro Universitário OPET – 2022

    • Atuação nas áreas Clínica, Educacional, Empresarial e Hospitalar

  • Especialização em Análise do Comportamento Aplicado na Educação de Pessoas com TEA e Aplicador ABA – Centro Universitário OPET (UNIOPET) – 2023

 

Certificações e Aperfeiçoamentos

  • TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, Transtornos Escolares e a Lei 14.254/2021: Caracterização, Mediação e Ludicidade – +Stimullus: Centro de Estudo, Formação e Consultoria – 2022

  • AEE – Atendimento Educacional Especializado: Avaliação e Intervenção – +Stimullus: Centro de Estudo, Formação e Consultoria – 2022

  • Programa de Treinamento Avançado em Comunicação nos Transtornos do Espectro do Autismo – PROAC: Saber Autismo – 2021

  • ABA e Estratégias Naturalistas – Instituto Singular – 2023

    • Ministrado por Mayra Gaiato e Rodrigo Silveira

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Thalita de Lima Fernandes
CREFITO-3/393887-F

Formação Acadêmica

  • Bacharelado em Fisioterapia – Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) – Formada em 2023

  • Pós-graduação Lato Sensu em Psicomotricidade – Faculdade Anhanguera – 2024

  • Pós-graduação em Fisioterapia nas Doenças Neuromusculares – UNIFESP – Em andamento (2025–2026)

 

Certificações e Aperfeiçoamentos

  • Aprimoramento em Disfunções Neurológicas da Criança e do Adulto – AACD Ensino e Pesquisa – 2024

  • Aperfeiçoamento em Desenvolvimento Infantil – Physio Cursos SP – 2023 (40 horas)

  • Curso: Terapia ABA no Autismo – Ello Cursos Psicologia – 2023 (170 horas)

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Daniela Latorre Cirne
CRP 06/210111

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Universidade Nove de Julho (Uninove) – Formada em julho de 2024

  • Pós-graduação em ABA e Estratégias Naturalistas aplicadas ao Autismo e Atrasos no Desenvolvimento – Instituto Singular – Em andamento (conclusão prevista para julho de 2026)

 

Certificações e Outras Formações

  • Protocolo VB-MAPP – Academia do Autismo – 2025

  • ABA na Escola – Academia do Autismo – 2024

  • Redução de Comportamentos Interferentes – Academia do Autismo – 2024

  • ABA – Análise do Comportamento Aplicada e as Estratégias Naturalistas – Instituto Singular – 2024

  • Autismo na Adolescência – Instituto Singular – 2023

  • Acompanhamento Terapêutico – Espaço Conviver e Aprender – 2023

  • ABA – Análise do Comportamento Aplicada – Espaço Conviver e Aprender – 2023

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Barbarah Perini
CRP 06/211839

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Faculdade São Judas Tadeu – 2023

  • Graduação em Psicopedagogia – Faculdade UNIFIEO – 2017

 

Certificações

  • Análise do Comportamento Aplicada (ABA) – 2025

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Mariana Vasconcellos Pascarelli
CRP 06/203740

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Faculdade UniPaulistana – Centro Universitário Paulistano – 2023

 

Certificações

  • Terapia ABA no Autismo para Pais e Aplicadores – Academia do Autismo – 2021

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Rayssa Faria Pinheiro de Queiroz
CRP 06/186018

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Universidade Nove de Julho – 2022

Especializações

  • Neuropsicologia – Universidade Anhembi Morumbi – 2025

Certificações

  • Análise do Comportamento Aplicada (ABA) – Instituto Singular – 2024

Atuação

  • Foco em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Desenvolvimento Infantil

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Luzia Lee Magalhães Novaes
APEMESP 1-250723

Formação Acadêmica

  • Bacharelado em Musicoterapia – Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) – 2024

Cursos e Capacitações

  • Musicoterapia Hospitalar – Prof. Mt. Dra. Lourdes Vigatto – 180 horas – 2025
  •  

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Isabella Leiva Lacerda de Arruda
CRN-3 78675

Formação Acadêmica

  • Bacharelado em Nutrição – Universidade Anhanguera – 2022

Especializações

  • Pós-Graduação em Nutrição e Alimentação Escolar – Faculdade Metropolitana – 2025

  • Pós-Graduação em Nutrição Clínica – Faculdade Metropolitana – 2025

  • Pós-Graduação em Nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA) – Faculdade Metropolitana – 2025

 

Cursos Complementares

  • Lactarista – UNIRE – 2020
  • Atendimento Nutricional no Autismo – Ana Paula Avelino – 2025
  • ABA, Estratégias Naturalistas e Neurociência na Intervenção do Autismo – Instituto Singular – 2025
  •  

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Mirella Ferreira Santos
CREFITO 3 15507-TO

Formação Acadêmica

  • Graduação em Terapia Ocupacional – Universidade de São Paulo (USP) – 2013

  • Residência Multiprofissional e Especialização em Saúde da Família – Faculdade Santa Marcelina (FASM) – 2016

Cursos e Capacitações

  • Percurso formativo (estágio) em Reabilitação Psiquiátrica – Cooperativa Social Olinda Onlus, Milão (Itália) – junho/julho 2015

  • O Processamento Sensorial no Desenvolvimento da Criança – Transtorno do Espectro Autista (TEA) – UNESP – 40h – 2021

  • Vulnerabilidade e Situações de Risco Psicossocial na Infância e Adolescência – Escola Municipal de Saúde de São Paulo – 60h – 2016

 

Atualmente

  • Mestrado Profissional em Ciências da Saúde (Infância e Juventude) – Faculdade de Medicina da USP – em andamento

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP

Elaine Cristina Cavalcanti de Godoy
CRP: 06/143620

Formação Acadêmica

  • Graduação em Psicologia – Universidade Paulista (UNIP) – 2017

 

Pós-graduação

  • Pós-graduação em Intervenção ABA para Autismo e Déficit Intelectual – Child Behavior Institute of Miami – 2023

 

Cursos e Capacitações

  • ABA e Estratégias Naturalistas – Instituto Singular – 2021

  • Aplicação VBMAPP – Regina Bérgano – 2022

  • VBMAPP Descomplicado – Academia do Autismo – 2023

  • Atuação na Seletividade Alimentar com base em ABA – NEXO – 2022

  • Avaliação em ABLLS e AFLS – Inclusão Eficiente – 2024

 

Participações

  • Seminário RIO TEAMA – 2024

Pediakinder - Reabilitação infantil - RE14083/SP