“Com quantos meses o bebê começa a falar?” é uma pergunta bastante comum entre pais e cuidadores, principalmente quando começam a comparar o desenvolvimento do filho com o de outras crianças da mesma idade.
A verdade é que a comunicação começa muito antes da primeira palavra. O bebê olha, sorri, reage à voz dos adultos, produz sons, balbucia, aponta, imita e encontra diferentes maneiras de mostrar o que quer ou sente.
Por isso, acompanhar o desenvolvimento da comunicação significa observar um conjunto de habilidades que vai se construindo ao longo dos primeiros anos, onde cada criança apresenta seu próprio ritmo.
Com quantos meses o bebê começa a falar?
Em geral, as primeiras palavras com significado costumam aparecer por volta do primeiro ano de vida, mas o desenvolvimento da linguagem começa muito antes disso.
Antes de falar palavras, o bebê passa por várias etapas de comunicação. Ele aprende a prestar atenção aos sons, reconhecer vozes, produzir diferentes vocalizações e participar de pequenas trocas com quem está ao seu redor.
Segundo a ASHA, nos primeiros meses o bebê já pode reagir aos sons, sorrir quando alguém fala com ele e produzir sons em resposta à interação.
Entre 7 e 9 meses, é esperado que o balbucio fique mais elaborado, com sequências como “mamamama” e “bababa”. Entre 10 e 12 meses, gestos como apontar, acenar e mostrar objetos passam a fazer parte da comunicação.
Por volta dos 12 meses, algumas crianças começam a utilizar palavras como “mamãe” e “papai” de maneira intencional. Outras podem precisar de um pouco mais de tempo.
Como acontece o desenvolvimento da fala em cada fase?
O desenvolvimento da comunicação acontece gradualmente. Cada etapa prepara o caminho para a seguinte.
Do nascimento aos 6 meses
Nos primeiros meses, a comunicação acontece principalmente por meio do olhar, do choro, das expressões faciais e das vocalizações.
O bebê começa a reconhecer vozes, reage aos sons e participa de pequenas trocas sonoras com os adultos. Entre 4 e 6 meses, pode produzir diferentes sons de vogais, rir e vocalizar durante as brincadeiras.
Dos 7 aos 12 meses
O balbucio ganha força. O bebê experimenta sons, repete sílabas e começa a perceber que suas vocalizações provocam respostas nas pessoas.
Nessa fase, gestos também ganham importância. Apontar, acenar, mostrar objetos e buscar a atenção de alguém são formas de comunicação que antecedem e acompanham o surgimento das primeiras palavras.
Dos 13 aos 18 meses
A criança começa a ampliar seu repertório de palavras e também sua compreensão da linguagem.
É comum que já consiga seguir instruções simples, identificar objetos quando solicitada e utilizar palavras ou gestos para comunicar desejos e necessidades.
Dos 19 aos 24 meses
A linguagem costuma ganhar velocidade. A criança passa a compreender e utilizar um número maior de palavras e começa a combinar duas ou mais palavras, formando pequenas frases, como “mais água” ou “quer bola”.
Dos 2 aos 3 anos
A comunicação se torna cada vez mais elaborada. A criança começa a construir frases maiores, fazer perguntas, explicar situações e participar de conversas mais longas.
A fala também vai ficando mais compreensível, embora alguns sons ainda possam estar em processo de aquisição.
Cada criança tem seu tempo, mas existem marcos importantes
“Cada criança tem seu tempo” é uma frase verdadeira, mas ela não significa que qualquer diferença de desenvolvimento deva ser ignorada.
Os marcos existem justamente para ajudar famílias e profissionais a acompanhar a evolução da criança. Eles indicam habilidades que a maioria das crianças costuma desenvolver dentro de determinadas faixas etárias.
Por isso, uma criança pode começar a falar um pouco antes ou depois de outra e ainda estar dentro de uma variação esperada.
O que merece atenção é o conjunto do desenvolvimento. A criança está adquirindo novas habilidades? Tenta se comunicar? Compreende o que é dito? Usa gestos? Responde às interações? Continua avançando?
Quando existe uma diferença persistente ou a evolução parece ter parado, uma avaliação pode ajudar a entender o que está acontecendo.
Atraso na fala ou apenas timidez?
Uma criança tímida pode falar pouco em determinados ambientes, mas demonstrar compreensão, utilizar gestos, se comunicar com pessoas próximas e apresentar desenvolvimento progressivo da linguagem.
Já uma dificuldade de linguagem pode aparecer de outras formas: pouca evolução do vocabulário, dificuldade para compreender o que é dito, ausência ou pouca intenção comunicativa ou dificuldade para combinar palavras conforme a idade.
Além disso, falar pouco não significa necessariamente que exista um único motivo.
Alterações auditivas, diferenças no desenvolvimento da linguagem, condições do neurodesenvolvimento e outros fatores podem estar relacionados.
Por isso, observar apenas a quantidade de palavras não é suficiente para compreender o desenvolvimento comunicativo de uma criança.
Leia mais: Atraso na fala ou timidez: como diferenciar em crianças?
Quando procurar uma avaliação fonoaudiológica?
A avaliação fonoaudiológica pode ser indicada quando os pais percebem que a criança não está acompanhando os marcos esperados, deixou de apresentar uma habilidade que já tinha adquirido ou demonstra dificuldades persistentes para compreender ou se comunicar.
Também vale buscar orientação quando existe uma preocupação concreta da família. Não é necessário esperar que a dificuldade fique maior para procurar informação.
O fonoaudiólogo avalia aspectos relacionados à fala, linguagem, comunicação, voz, audição e alimentação, conforme a necessidade de cada criança. A avaliação permite compreender quais habilidades já estão presentes, quais precisam de apoio e como o acompanhamento pode ser conduzido.
E existe um ponto importante: procurar uma avaliação não significa que a criança necessariamente tenha algum transtorno ou precise de terapia.
Leia mais: Quando procurar um Fonoaudiólogo Infantil? Saiba tudo!
Como a fonoaudiologia pode ajudar?
A fonoaudiologia infantil acompanha o desenvolvimento da comunicação de maneira individualizada.
O trabalho pode envolver a ampliação do vocabulário, compreensão da linguagem, construção de frases, produção dos sons da fala e desenvolvimento da comunicação funcional. Dependendo das necessidades da criança, também podem ser trabalhadas formas alternativas ou complementares de comunicação.
O atendimento acontece de maneira adequada à idade e aos interesses da criança. Brincadeiras, histórias, músicas, objetos e situações do cotidiano podem fazer parte das estratégias utilizadas pelo profissional.
A participação da família também tem importância. A comunicação acontece durante as refeições, nas brincadeiras, no banho, nos passeios, na leitura de um livro e em tantos outros momentos da rotina.
O desenvolvimento da fala acontece em conjunto com outras habilidades
Para que uma criança consiga se comunicar, ela também precisa desenvolver atenção compartilhada, compreensão, interação, intenção comunicativa, capacidade de imitação e outras habilidades que participam desse processo.
Por isso, uma criança que ainda não fala pode estar demonstrando importantes avanços na comunicação. Um olhar atento consegue perceber essas pequenas mudanças: ela começou a apontar para pedir algo, passou a olhar para o adulto quando quer compartilhar uma descoberta, imita sons, entende uma instrução ou utiliza um gesto novo.
Essas aquisições ajudam a construir o caminho da linguagem.
Continue acompanhando o desenvolvimento infantil
A comunicação é uma das muitas áreas que participam do desenvolvimento da criança. No blog da Pediakinder, você encontra outros conteúdos sobre fala, linguagem, desenvolvimento infantil, fonoaudiologia e reabilitação para acompanhar cada etapa com mais informação e tranquilidade.